Estatinas são a principal arma para reduzir o risco cardiovascular de quem tem colesterol alto, mas é preciso cuidado adicional

 


A aterosclerose atinge 40% da população adulta no Brasil. Controlar o triglicérides e manter alto o colesterol bom são fundamentais para evitar infarto e AVC. O assunto será um dos destaques no Congresso de Cardiologia que começa amanhã

 

          As estatinas – remédios para controlar colesterol elevado – conseguem reduzir o risco cardiovascular em média 30 a 35%. O percentual que sobra é chamado pelos cardiologistas de risco residual, ou seja, apesar do tratamento habitual otimizado ainda há chance de ocorrência de eventos cardiovasculares (CVs) como infarto e AVC. Especialistas vão debater o tema no 42º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), entre os dias 16 a 18 de junho.

          “O risco residual é ainda maior em pacientes de prevenção secundária (que já fazem algum acompanhamento cardiovascular). Por isso, o tratamento deve ser agressivo e eficaz, para a redução máxima do risco de novos eventos”, afirma o diretor científico do 42º Congresso da SOCESP, Renato Jorge Alves, que também é coordenador do Departamento de Cardiologia da Santa Casa de São Paulo e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

          Estudos clínicos importantes mostraram que o risco residual aumenta com menores concentrações de HDL (colesterol bom), acompanhadas por elevação dos níveis de triglicérides; e que, quanto maiores os níveis de proteína C reativa (PCR) – marcador importante de risco cardiovascular –, maior o risco CV, a despeito da meta de LDL atingida. “Outras causas seriam presença de diabetes, obesidade, estresse, sedentarismo, tabagismo, história familiar de doença aterosclerótica precoce, idade avançada, doença renal crônica, apneia do sono e as próprias doenças inflamatórias crônicas associadas”, diz o cardiologista.

          Ele alerta que, além do uso das estatinas, o tratamento de aterosclerose deveria ser associado a outros fatores, como o controle do triglicérides e a perseguição de um nível alto de HDL. Já no caso dos pacientes cardiopatas de alto risco CV, além do tratamento padrão com estatinas de alta potência, aspirina, inibidores da conversão da enzima da angiotensina (ECA), entre outros, existem no mercado novos fármacos, que associados à essa terapêutica, conseguiram atenuar o risco cardiovascular dessa população. “Hoje temos evidências científicas robustas que, tratar o risco residual significa redução dos desfechos CVs. Tratar os pacientes mais graves com hipolipemiantes potentes é fundamental, mas devemos observar o todo e olhar a terapêutica de uma forma mais ampla, que englobe não só o LDL, mas também todos os demais fatores de risco”, finaliza o conferencista.

 

Serviço:

42º Congresso de Cardiologia da SOCESP

Data do evento: 16 a 18 de junho 2022

Local: Transamérica Expo Center, São Paulo/SP

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